TERÇA-FEIRA, 17 DE OUTUBRO DE 2017

HGG trabalha para se tornar referência em áreas desafiadoras da medicina
Data de publicação: 13 de março de 2017 - 8:22


Fachada do HGG após reforma conduzida pela OS Idtech

Fachada do HGG após reforma conduzida pela OS Idtech

Por Maria Antonieta Toledo

“Assumimos a gestão do hospital em uma quinta-feira, dia 12 março, e lembro que até o sábado já estávamos muito preocupados com a situação que o hospital se encontrava.” O trecho acima faz parte do relato do diretor técnico do Hospital Geral de Goiânia Alberto Rassi (HGG), ao se recordar do estado que encontrou a unidade quando a Organização Social Idtech assumiu sua gestão, há exatos cinco anos.

Na época, o hospital ocupava as páginas dos principais jornais da capital, principalmente devido à ausência de insumos básicos, como esparadrapo, para tratar os pacientes. “Encontramos uma unidade deteriorada pelas amarras burocráticas. Repleta de pessoas com vontade de trabalhar, mas de mãos atadas, sem as mínimas condições para desenvolverem seu potencial”, recorda Nakamura. Janelas quebradas, infiltrações por toda parte, um almoxarifado totalmente desabastecido e servidores desgastados pelas péssimas condições de trabalho completavam o cenário. “Para se ter uma ideia do nível de deterioração do hospital, dois dos dez leitos de UTI que funcionavam à época estavam interditados porque a água do ar condicionado estava retornando para dentro dos leitos”, relata.

HGG sofria com falta de insumos básicos para suas atividades. Foto acervo da unidade

HGG sofria com falta de insumos básicos para suas atividades. Foto acervo da unidade

Diante desse quadro desafiador, a OS optou por empreender um plano emergencial de reparos básicos, como o conserto do ar-condicionado que estava inviabilizando o funcionamento dos leitos de UTI. Foi promovida uma verdadeira força-tarefa envolvendo pedreiros, encanadores e marceneiros, para que se pudesse oferecer as mínimas condições de trabalho para a equipe.

Paralelamente, buscou-se uma forma eficiente para aquisição de insumos hospitalares, que garantisse a qualidade dos produtos a preços mais atrativos. Foi implantada uma plataforma virtual de aquisição de insumos que garante a confidencialidade do comprador e seu fornecedor, evitando com isso negociações paralelas. “Lembro de um caso emblemático quando adquirimos um antifúngico para tratamento completo a R$7 mil, sendo que a mesma medicação era vendida anteriormente para a administração direta por R$17 mil. Só na compra desse medicamento conseguimos fazer uma economia de R$10 mil. Foi ai que nos certificamos que tínhamos optado pela ferramenta correta”, afirma Nakamura.

Com o hospital abastecido e os reparos emergenciais feitos, era preciso estimular sua equipe a desenvolver todo o seu potencial. Para isso, foram identificados líderes nos diferentes setores, que passaram a contribuir com a melhoria do clima organizacional. Até hoje, 99% dos chefes médicos integram o quadro de carreira da unidade, sendo servidores efetivos do Estado, com destaque para as diretorias médica e clínica que são ocupadas por tais servidores concursados.

Sistema virtual de compras permitiu abastecer a unidade, com preços mais atrativos.

Sistema virtual de compras permitiu abastecer a unidade, com preços mais atrativos.

Salto na qualidade
Em um segundo momento da gestão hospitalar, foi direcionado esforço no sentido de ampliar a qualidade dos procedimentos realizados. Dessa forma, toda a equipe foi orientada a se adaptar às normas internacionais de segurança e qualidade da assistência, o que resultou na conquista do título de Acreditação Hospitalar nível 2, concedido pela Organização Nacional de Acreditação (ONA). O HGG tornou-se o primeiro hospital da rede pública, na região Centro-Oeste, a conquistar essa acreditação, sendo seguido por outras unidades públicas no decorrer dos anos.

Novo CTI ampliou de dez para 30 os leitos de UTI

Novo CTI ampliou de dez para 30 os leitos de UTI

Investimentos foram revertidos para permitir a ampliação de seu atendimento. Foi promovida a construção de um novo Centro de Terapia Intensiva, que permitiu passar de dez para 30 novos leitos de UTI. “Estamos falando de UTIs que atendem aos padrões da ONA. Hoje podemos afirmar seguramente que temos um dos melhores CTIs de todo o Estado, comparado inclusive com a rede privada”, defende Nakamura.

O ambulatório de Medicina Avançada ganhou novo mobiliário e foi climatizado, acesso por elevadores e seus consultórios foram readequados. Foi implantada uma ala especial de cuidados paliativos, com dez leitos para pacientes sem tratativas de cura. Foi promovida a construção da Central Humanizada de Internação, voltada para oferecer conforto aos pacientes nos momentos antes da internação. Todo o instrumental cirúrgico foi renovado, mobilizando investimentos na ordem de R$ 3,1 milhões, entre demais melhorias que permitiram agilidade e qualidade nos atendimentos.

O resultado de tamanho investimento foi revertido no crescimento dos índices de produtividade do hospital: aumento de 53% na produção cirúrgica (3.531 em 2012 para 5.391 em 2016); aumento de 26% no número de internações (5.547 em 2011 e 7.012 em 2016), tanto para cirurgias quanto tratamento clínico; aumento de 12% no número de consultas ambulatoriais (9.117 em 2012 e 10.981 em 2016).

Para custear tantos investimentos e a ampliação no volume de atendimentos prestados, foi preciso que os valores revertidos pelo Governo do Estado sofressem reajustes pontuais. A gestão passou de R$ 5,7 milhões mensais em 2012 para próximo a R$ 9 milhões atualmente, estando incluindo nesse valor todos os salários dos servidores, efetivos e contratados pela organização. “Foi preciso ampliar o orçamento para que pudéssemos suprir os custos com o aumento da produtividade”, explica Nakamura.

Humanização

Oficina de arte

Pacientes são estimulados a desenvolver seus dons artísticos em oficinas

Paralelamente aos investimentos infraestruturais e de estímulo aos servidores, a diretoria do HGG buscou criar uma série de medidas focadas na humanização do atendimento concedido ao paciente. O projeto Sarau é um dos exemplos dessa experiência bem sucedida, que combina lazer e melhoria do clima organizacional, propiciando um clima que contribui para a recuperação do paciente ao levar música ao vivo, dos mais variados estilos, para dentro da unidade. Desde a sua implantação, mais de 800 músicos voluntários contribuíram com a proposta.

Seguindo na linha artística, o projeto Arte no HGG impactou pacientes com o oferecimento de oficinas de artes plásticas, permitindo que as obras produzidas componham exposições organizadas pela unidade. Para trabalhar a auto-estima e disseminar a alegria durante o período de recuperação, foram implantados os programas Projeto Riso e Comunicadores da Alegria, ambos compostos por voluntários que dedicam horas para compartilhar atenção com uma boa dose de bom humor aos internos.

Desafio futuros
Além de trabalhar para a manutenção dos patamares alcançados nos últimos cinco anos, a diretoria do Idtech traçou planos bastante audaciosos para serem concretizados já em 2017. Conforme adianta o diretor técnico Rafael Nakamura, quatro pilares serão desenvolvidos este ano junto à todos os servidores. O primeiro deles busca transformar o hospital em referência de transplantes no Centro-Oeste. “Estamos falando em transplantes de rins, fígado, pâncreas, que envolvem uma certa complexidade”, analisa.

Outra vertente está em oferecer o tratamento especializado para a comunidade LGBT. Na segunda quinzena de março está prevista a inauguração do ambulatório específico para atender casos dessa natureza. A intenção é identificar e preparar transgêneros que desejam realizar a cirurgia de mudança de sexo. “É um trabalho árduo e muito complexo que demanda um acompanhamento de cerca de dois anos até a cirurgia. Queremos iniciar deste já esse atendimento”, declara Nakamura.

O hospital também vai buscar a consolidação como referência no atendimento de doenças raras, como o xeroderma pigmentoso que atinge a comunidade de Faina. “Desejamos fortalecer a equipe médica dedicada ao tratamento desse tipo de doença”, defende. E por último, o HGG pretende implantar o serviço Homecare hospitalar, que dispensa cuidados domésticos a pacientes da capital portadores de doenças raras. “Tudo isso, via Sistema Único de Saúde, vale ressaltar”, finaliza o diretor.






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